Popular nos EUA, montaria de touro quer desvincular identidade do rodeio no Brasil!
Existe uma modalidade popular mundo afora que conta hoje em dia com brasileiros no topo, assim como o futebol ou o circuito de lutas do UFC. No entanto, atrelada no país a uma questão de cultura tradicional da vida no interior, a montaria em touro ainda batalha para ser tratada realmente como esporte e para se desvincular do universo de entretenimento dos rodeios.
Desde 2005 no país, a filial nacional do Professional Bull Riders (montadores de touro profissionais, em tradução livre do inglês) já organiza cerca de 50 eventos anuais em um calendário que divide espaço com os já consagrados rodeios, com seus numerosos fãs. Mas a entidade tem procurado adotar medidas que façam a modalidade buscar um caminho essencialmente esportivo.
BRASILEIROS DOMINAM CIRCUITO
O brasileiro Silvano Alves (foto) conquistou nas últimas semanas nos EUA o título de campeão mundial da montaria em touro, saindo com um cheque de US$ 1 milhão em mãos. Outros três atletas do país já venceram o circuito internacional. Anônimos no Brasil, os atletas de ponta da montaria em touro têm vidas de celebridades dentro do universo da modalidade nos EUA, com direito a altos prêmios em dinheiro e rol de patrocinadores. |
Hoje, o braço brasileiro do PBR já conta com a parceria de uma gigante empresa de bebidas e trabalha para levar a modalidade para a TV aberta. "Estamos negociando com duas ou três grandes emissoras. Ainda não podemos revelar os nomes. Mas será um grande passo para o esporte", diz Camila Bellintani Pereira, responsável pelo marketing da entidade no país.
O modelo de funcionamento que a entidade persegue no Brasil é o que vigora nos Estados Unidos, onde a montaria em touro viaja pelo país com eventos caros, que distribuem prêmios milionários e são organizados até em ginásios da NBA, como o Madison Square Garden, templo do esporte em Nova York.
ROCK’N’ROLL PARA DESVINCULAR IMAGEM DO RODEIO
Em meio à estratégia para se afastar da imagem de entretenimento dos rodeios, a montaria em touro no Brasil tem apostado em uma cara de evento focada no esporte. Para isso, evita o uso de atrações musicais ao vivo no mesmo palco onde os peões se equilibram sobre touros agitados.
"Existe uma batalha aqui no Brasil para mostrar a montaria como esporte, e não como entretenimento", afirma Camila Bellintani Pereira. "Nos Estados Unidos funciona assim. Os fãs deliram e querem ver o show somente do esporte. Queremos criar essa consciência aqui também", acrescenta a executiva do PBR.
Nos próximos dias, o circuito brasileiro da montaria em touro desembarca em Londrina, no Paraná, onde se apresentará desta forma, apenas com o esporte. A presença musical se dá apenas com o DJ e suas caixas de som. Mas delas não saem exatamente o que obviamente se espera em eventos desta natureza.
"Usamos muito o rock’n’roll, por ser um esporte de adrenalina. Temos a presença do rock muito forte, mesclando com o sertanejo", conta a representante da entidade de montaria.
A aposta dos eventos desta natureza é também focar na montaria em touro, sem outras modalidades habitualmente contempladas em rodeios, como peões em cavalos ou laçando filhotes.
REGALIAS DE ATLETAS PARA OS ANIMAIS
Os animais usados no circuito de montaria em touro são tratados como verdadeiras estrelas do esporte, com mesmo nível de regalias dos peões. Eles passam por tratamento alimentar especial, fisioterapia e baterias regulares de exercícios.
- Cidade de Primavera do Leste (no Mato Grosso) recebeu etapa recente da montaria sobre touro
Para a entidade, o mimo para os touros também funciona no combate ao patrulhamento de entidades defensoras dos animais, que tradicionalmente batalham contra a realização de eventos de rodeio pelo país.
No Brasil, os animais mais valiosos estão cotados em cerca de R$ 100 mil. Nos Estados Unidos, podem custar até US$ 1 milhão.
Os peões também contam com agrados, que vão além das gordas premiações. No entanto, apresentam resistência ligada à cultura dos rodeios ao ser confrontados com necessidade de mudanças que rumem em direção ao esporte. Por exemplo, boa parte deles tem relutado contra a introdução do capacete de proteção para a exibição sobre os touros. “Aqui no Brasil eles preferem se apresentar com o chapéu, é uma questão de tradição”, diz a executiva de marketing do PBR.
Desde a introdução do modelo PBR, duas ocorrências mais graves foram registradas, com uma morte. Mesmo assim, a presença da ameaça física segue sendo tratada pelos atletas com a naturalidade de pilotos de automobilismo.
"Já tomei pisadas de touro, sofri lesões, mas nunca tive um osso quebrado. Nada mais grave", celebra Silvano Alves, brasileiro que há poucas semanas conquistou o título mundial nos EUA.
Por: Gustavo Falararo Twitter: @Falararo
Fonte: http://www.cowboydoasfalto.com/
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